• Luís Fernando Oliveira

Filho pródigo, pai misericordioso

O Tempo da Quaresma continua. Um programa de renovação da vida cristã. Começou por viver os quarenta dias de deserto de Cristo Jesus para preparar a pregação do Evangelho. O básico está no Convertei-vos e crede no Evangelho.

Escutamos hoje de Jesus a narração de uma de suas parábolas mais belas, a do filho pródigo. Nela o verdadeiro protagonista é o Pai, que na sua misericórdia reconcilia os seus filhos consigo.Também nós, como o filho pródigo, nos afastamos do Pai, ao menos algumas vezes, ainda que nos custe admitir.

Talvez seja a página mais conhecida de todos os Evangelhos. Muitos não crentes a conhecem. Inspirou poetas, escritores. A aventura deste jovem desordenado, com grande vontade de viver e gastar tudo, depois reduzido à miséria, volta à casa paterna  mas não ousa nem mesmo pedir perdão. De longe o pai com o coração cheio de alegria esquecendo o passado prepara uma festa. Uma história de jovens de todos os tempos, hoje submetidos na maioria às drogas.

Esta parábola (Lucas 15,1-3.11-32) supõe algumas explicações. Jesus certamente contou esta história endereçada aos fariseus e escribas que murmuravam contra Jesus, porque ele recebia pecadores e comia com eles. Reprovavam ao Senhor que veio para salvar os pecadores, de estar com eles, de familiarizar-se com eles e de fazer-se amigo deles. Fariseus e escribas julgavam-se os justos.

As categorias de pessoas com as quais Jesus devia misturar-se todos os dias são portanto duas: os chamados pecadores que Jesus freqüentava bastante, e os chamados justos que o olhavam de longe com olhos malévolos. As duas categorias parecem coincidir com os dois filhos.

O rapaz desordenado no final tornou-se capaz de recuperação inesperada, capaz de conversão. Entra em si mesmo, toma consciência das loucuras que fez, reconhece o próprio erro, se arrepende, volta e obtém o perdão.  Ao contrário o jovem julgado bom, obediente, exemplar, revela-se egoísta, hostil para com seu irmão. Não se alegra porque seu irmão voltou, mas o reprova e faz-se ofendido. Gloria-se de seus méritos. Revolta-se contra o perdão dado pelo pai.

Sobretudo na narração aparece a figura paterna de Deus: o velho pai que ama os filhos, mesmo quando se desviam, porque são seus, que espera com ânsia o que se perdeu, e espera poder reavê-lo são e salvo em casa, e cada dia fica a olhar o horizonte na espera do retorno, que apareça no horizonte. Depois explode na alegria e no perdão, e faz grande festa. A simpatia de Jesus vai ao filho pródigo, não porque dissipa e peca, mas porque é capaz de conversão e retorno ao Pai.

Alguns acham que estão representados no filho fiel que permaneceu em casa; de fato são reprovados por Jesus por mesquinhez, obediência penosa, hipocrisia porque se revelam incapazes de amar um seu irmão.

Jesus portanto contou a parábola por tantos motivos: para justificar a sua atitude de receber os pecadores convidando-os à conversão, e tomar distância de quem por hipocrisia se comporta aparentemente como homem justo quando na realidade não o é. E, sobretudo quis celebrar a misericórdia de seu Pai Celeste. O personagem principal da narração não é o filho pródigo e tanto menos o filho obediente, mas o pai, com sua ânsia e seu amor. É portanto o pai misericordioso.

Assim Jesus nos revela o verdadeiro rosto de Deus: pai amoroso e pronto ao perdão. Revela que a sua própria missão é de procurar os pecadores, chamá-los à conversão do coração, e salvar o que estava perdido.  E nos coloca de sobreaviso no julgar muito depressa os outros.

Jesus nos recorda o estilo de vida dos fariseus e nos admoesta: não julguemos os outros, não os condenemos. Eles podem também errar, mas são filhos de Deus, igualmente amados, podem converter-se e voltar ao Pai.

Se temos delicadeza de consciência, descobrimos que também nós não somos irrepreensíveis, somos como o filho pródigo, desperdiçamos os dons de Deus. Somos caridosos com nossos familiares, amigos, mas não com os outros. Existe gente perto de nós que sofre e precisa de ajuda e não nos tocamos. Jesus quer ter um encontro com cada um de nós.

FONTE: CNBB

Filho Pródigo


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